Medindo o trabalho voluntário: como e por que manter esta prática

Muito se fala do potencial dos programas de voluntariado empresarial para o desenvolvimento de talentos, capacitação dos colaboradores, aumento do engajamento interno, melhoria do relacionamento com a comunidade, etc. Mas como efetivamente comprovar tudo isso e mostrar para a liderança e demais stakeholders que o voluntariado faz sim grande diferença para a empresa?

Neste post buscamos responder essa pergunta trazendo alguns motivos que justificam a importância da medição de resultados e como efetuá-la no seu programa de voluntariado. Boa leitura!

Por que medir?

Para podermos planejar, precisamos medir

A falta de informações e dados gerenciais sobre o trabalho voluntário limita muito a realização de uma gestão efetiva do programa de voluntariado.

Para formular um bom programa são necessários dados básicos como: quais áreas de atuação atraem mais voluntários, quanto tempo os voluntários dispõem para se dedicar, quais habilidades eles possuem para oferecer, etc. Apenas com um bom diagnóstico do meu público é que posso “receitar” ações compatíveis com suas necessidades e desejos.

Assim como em qualquer investimento que fazemos, analisando antes seu retorno, no trabalho voluntário este mesmo exame deve ser realizado. Se investimos uma grande quantidade de recursos em uma ação de pouco impacto para a sociedade e baixo engajamento de voluntários dentro da empresa, então ela deve ser reformulada para alcançar um maior nível de transformação. Porém, para se chegar a essa decisão, é preciso medir os resultados que a ação alcançou.

Uma avaliação relevante tem grande impacto na dinâmica do programa, influenciando diretamente seu futuro

O que não se vê, não existe!

A falta de informações adequadas sobre o alcance, as formas e o impacto do trabalho voluntário não apenas dificulta a gestão do programa, como também esconde o real valor do trabalho voluntário para a empresa. Por outro lado, dados relevantes sobre os trabalhos realizados aumentam a visibilidade do programa e endossam sua importância, podendo proporcionar mais recursos e atrair mais pessoas interessadas em participar.

Lembre-se de que quanto menos dados disponíveis sobre o programa, menor a visibilidade e a relevância do projeto internamente.

Não seja invisível: o voluntariado é uma força de trabalho que muitas vezes é ignorada dentre as estatísticas de trabalho já existentes na empresa. 

O valor do voluntariado é imenso, inclusive o econômico

Os voluntários representam uma parte muito mais importante da força de trabalho mundial do que a maioria das pessoas imaginam. Um estudo realizado pelo Centro Johns Hopkins em 37 países aponta que os trabalhadores voluntários já realizaram uma contribuição de aproximadamente $400 bi para a economia mundial (isso em estimativas conservadoras!).

Apesar de historicamente ausente nos processos avaliativos de Investimento Social Privado como um todo, a preocupação com a avaliação econômica de projetos sociais é uma prática em crescimento no setor.

Em suma, uma avaliação econômica é composta de duas partes: avaliação de impacto e cálculo do retorno econômico. A avaliação de impacto usa ferramentas estatísticas para estimar o efeito de um programa sobre os seus beneficiários. Já o cálculo do retorno econômico busca saber se os benefícios gerados a partir do impacto superam os custos do programa.

Ainda que desafiadora, esse tipo de prestação de contas demonstra de maneira clara que os recursos estão sendo empregados da melhor forma possível.

A Fundação Itaú Social é uma grande especialista neste tipo de avaliação. A organização oferece seminários, cursos e outros eventos formativos para gestores públicos, de organizações da sociedade civil e de fundações e institutos empresariais de todo o país, além de alunos de graduação e pós-graduação. Saiba mais em: http://www.redeitausocialdeavaliacao.org.br/

 

Como medir?

Apesar de não existir uma única forma ou metodologia para se realizar esta medição, elencamos aqui um passo-a-passo básico para estruturação do plano de ação e organização das informações.

Passo 1: Defina os objetivos da medição

Ao final do processo de coleta das informações, quais perguntas deverão ser respondidas? Através delas é que todo o escopo do trabalho será definido.

Exemplo:

Neste momento é preciso perguntar quem precisa de qual informação, com qual propósito, até quando e com que nível de precisão.

  • Quem precisa da informação: Área gestora do programa
  • Qual informação precisa ser coletada: Áreas de atuação de maior interesse dos voluntários
  • Qual o propósito de uso da informação: Definir as atividades da próxima edição do programa
  • Até quando a informação precisa estar disponível: Até o final do 1 semestre
  • Precisão: Exata

Abaixo apresentamos um modelo de pergunta:

“Qual a área de atuação de maior interesse dos voluntários?
a) Esporte e Lazer
b) Saúde e Nutrição
c) Comunicação e Tecnologia
d) Meio ambiente e proteção animal
e) Educação, arte e cultura”

Como disse E. Jane Davidson, professora de artes na Universidade de Melbourne, “uma avaliação verdadeiramente relevante depende das perguntas certas”.

Passo 2: Escolha os indicadores a serem monitorados

A fim de responder as perguntas estabelecidas na etapa anterior, deve-se escolher os indicadores a serem coletados e monitorados.

Tanto indicadores quantitativos como qualitativos devem ser considerados, assim como estabelecidos critérios e parâmetros de avaliação, ou seja, o que se irá considerar como muito ou pouco, baixo ou alto, e assim por diante.

Exemplo:
  • Indicador: Quantidade de voluntários participantes
  • Parâmetro: Percentual de colaboradores da empresa engajados (de 0 a 10% = ruim | 11 a 20% = regular | de 21% a 30% = bom | acima de 31% = ótimo)

Passo 3: Selecione suas fontes de informação

O próximo passo é decidir quem deve ser envolvido neste processo de medição, em quais indicadores e qual é a melhor maneira de fazer isso.

Além disso é fundamental aproveitar as informações já disponíveis (fontes secundárias) e analisar o que será necessário colher de informações novas (dados primários).

Exemplo:

Exemplo de indicadores quantitativos coletados através do portal V2V.

Lembre-se que uma boa avaliação leva em consideração a opinião dos diversos atores envolvidos no projeto (ONGs, público beneficiados, consultorias, etc). 

 

Se os elementos corretos estiverem presentes, a medição e consequente avaliação serão altamente importantes, influentes, úteis e produtoras de ações para o programa.

Boa sorte!

 

Fontes:

 

Ações de reconhecimento

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